Aumento na conta de energia terá impacto na receita mensal
Reajuste foi definido em quase 20% no consumo das unidades

Os goianos se preparam para colocar “mais fundo” a mão no bolso após o anúncio de aumento na fatura de energia elétrica em Goiás. O reajuste foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na última quarta-feira (22) e será repassado já nas próximas faturas. Conforme divulgado pela concessionária responsável pela distribuição de energia elétrica no Estado, o aumento será de 18,55%. Segundo especialistas da área, o reajuste não está relacionado apenas à distribuição do serviço à população, mas a uma série de fatores que envolvem geração, transmissão, encargos setoriais e tributos, custos que acabam sendo somados em uma única fatura enviada mensalmente aos usuários. Dentro do contrato de concessão entre a operadora e a Aneel há, inclusive, uma cláusula que garante reajuste anual nos valores dos serviços.
Conforme apurado durante esta edição, para definir o reajuste anual são analisados indicadores que medem a qualidade do fornecimento em Goiás. A Equatorial é apontada por melhorias no serviço, incluindo a redução na quantidade de interrupções e no tempo de resposta à população. Mesmo pesando um pouco mais no orçamento, o reajuste é inevitável por conta da cláusula contratual, cabendo ao consumidor monitorar e cobrar com mais rigor a qualidade dos serviços, especialmente pelos canais digitais. Goiás conta atualmente com 3,5 milhões de unidades consumidoras ativas, parte delas ainda enfrenta problemas pontuais, com maior frequência no período chuvoso, que deve começar nos próximos dias.
Segundo a Aneel, o reajuste foi necessário para custear fatores não gerenciáveis, despesas que não dependem diretamente da empresa responsável pela distribuição e manutenção da rede. Entre eles estão os custos de distribuição e transporte da energia, compra da eletricidade, encargos e tributos definidos por lei federal, além de variações nos custos do setor.
Para o servidor público aposentado de Aparecida de Goiânia, Arlindo Neves, o reajuste vai complicar ainda mais a sua situação financeira. “Recebo apenas dois salários mínimos: um deles é utilizado apenas para comprar remédios; o outro é dividido entre as faturas de água, energia e alimentação. Tô quase voltando para o candeeiro, daqueles movidos a querosene”, destacou, preocupado, o aposentado ao Diário de Aparecida.
Já para a cabeleireira Raquel Bonfim, o impacto será ainda maior do que em uma residência tradicional, uma vez que secadores de cabelo, aparelhos de esterilização, iluminação especial e outros equipamentos são utilizados com frequência de segunda a domingo. “Terei que repassar o aumento aos clientes por meio de reajustes nos serviços, senão estarei pagando para trabalhar”, afirmou, em tom de indignação.
Pelo visto, com tantos reajustes anunciados nos últimos meses de 2025, muitos brasileiros deverão usar o décimo terceiro salário, cuja primeira parcela será paga no próximo mês, para quitar faturas de serviços essenciais, uma forma de driblar a inadimplência, embora isso reduza o poder de compra.




