Lula derrota Flávio Bolsonaro e conquista quarto mandato na Presidência

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25) ao superar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. Aos 80 anos, Lula conquista nas urnas o direito de exercer um quarto mandato à frente do país, depois de reverter uma disputa que começou com vantagem do adversário.
Na atualização disponível às 21h09, Lula aparecia com 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% de Flávio. O presidente somava 61,88 milhões de votos, enquanto o candidato do PL tinha 57,72 milhões. A totalização ainda estava em andamento, e os números poderiam sofrer pequenas alterações até a conclusão da apuração.
A vitória já havia sido projetada pelo Datafolha às 20h46, quando pouco mais de três quartos das urnas estavam apurados. O movimento confirmou uma mudança importante em relação ao primeiro turno, realizado em 4 de outubro.
Na primeira votação, Flávio terminou na liderança com 47,03% dos votos válidos, equivalentes a 56,1 milhões de votos. Lula ficou em segundo lugar, com 45,16% e 53,87 milhões. A diferença foi superior a 2,2 milhões de votos.
Sem que nenhum dos candidatos alcançasse mais da metade dos votos válidos, a disputa seguiu para o segundo turno. Durante as três semanas seguintes, as campanhas concentraram esforços na parcela do eleitorado que havia votado em outros candidatos, nos ausentes da primeira etapa e na mobilização das bases políticas.
A reta final mostrou uma eleição apertada. Pesquisa Datafolha divulgada três dias antes da votação apontava empate de 50% a 50% dos votos válidos, dentro da margem de erro. No domingo, a vantagem mudou de mãos ao longo da apuração até Lula assumir a primeira colocação.
O resultado produz uma situação inédita na trajetória eleitoral brasileira recente: Lula chegou ao segundo turno após terminar atrás do adversário na primeira etapa e conseguiu inverter o placar na votação decisiva. É também a quarta vez em que o petista é eleito presidente pelo voto popular.
Lula venceu suas primeiras eleições presidenciais em 2002 e 2006. Depois de permanecer fora do Palácio do Planalto por três mandatos presidenciais, voltou a disputar e venceu novamente em 2022. Agora, conquista uma nova reeleição e deverá iniciar o próximo mandato em 5 de janeiro de 2027.
A disputa deste ano colocou frente a frente o presidente em exercício e Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O candidato do PL chegou ao segundo turno depois de liderar a primeira etapa e concentrou sua campanha na oposição ao governo federal e na tentativa de ampliar a votação obtida pelo campo bolsonarista.
Lula, por sua vez, reorganizou a campanha depois do primeiro turno e buscou ampliar a mobilização eleitoral na reta final. A recuperação apareceu gradualmente nas pesquisas: levantamentos que inicialmente apontavam vantagem numérica de Flávio passaram a mostrar redução da distância até o empate técnico nos últimos dias.
O segundo turno também teve um episódio excepcional. Uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, prorrogou o horário de votação em locais onde o processo ainda não havia sido encerrado às 17h. Por causa da medida, o Tribunal Superior Eleitoral interrompeu temporariamente a divulgação da totalização e retomou a contagem depois das 19h.
Com a reeleição, Lula terá pela frente um novo mandato em um cenário político marcado pela divisão registrada nas urnas e por uma composição do Congresso com forte presença de partidos de centro e de direita. A votação também mantém aberta a disputa pela reorganização das forças políticas que estarão na oposição a partir de 2027.
O resultado definitivo, incluindo total de votos, comparecimento, abstenção, votos brancos e nulos, será consolidado pela Justiça Eleitoral após a conclusão da totalização nacional.




